Emmanuel / Médium Francisco Cândido
Xavier
Psicografado em julho/1939
Revista Internacional de Espiritismo,
Janeiro/2001
Nenhum espírito equilibrado em face do bom
senso, que deve presidir a existência
das criaturas, pode fazer a apologia da loucura generalizada que adormece as
consciências, nas festas carnavalescas.
É lamentável que, na época atual, quando os conhecimentos novos felicitam a mentalidade humana, fornecendo-lhe a chave maravilhosa dos seus elevados destinos, descerrando-lhe as belezas e os objetivos sagrados da Vida, se verifiquem excessos dessa natureza entre as sociedades que se pavoneiam com o título de civilização. Enquanto os trabalhos e as dores abençoadas, geralmente incompreendidos pelos homens, lhes burilam o caráter e os sentimentos, prodigalizando-lhes os benefícios inapreciáveis do progresso espiritual, a licenciosidade desses dias prejudiciais opera, nas almas indecisas e necessitadas do amparo moral dos outros espíritos mais esclarecidos, a revivescência de animalidades que só os longos aprendizados fazem desaparecer.
Há nesses momentos de indisciplina
sentimental o largo acesso das forças da treva nos corações e, às vezes, toda
uma existência não basta para realizar os reparos precisos de uma hora de insânia
e de esquecimento do dever.
Enquanto há miseráveis que estendem as
mãos súplices, cheios de necessidade e de fome, sobram as fartas contribuições
para que os salões se enfeitem e se intensifiquem o olvido de obrigações
sagradas por parte das almas cuja evolução depende do cumprimento austero dos
deveres sociais e divinos.
Ação altamente meritória seria a de
empregar todas as verbas consumidas em semelhantes festejos, na assistência
social aos necessitados de um pão e de um carinho.
Ao lado dos mascarados da
pseudo-alegria, passam os leprosos, os cegos, as crianças abandonadas, as mães
aflitas e sofredoras. Por que protelar essa ação necessária das forças
conjuntas dos que se preocupam com os problemas nobres da vida, a fim de que se
transforme o supérfluo na migalha abençoada de pão e de carinho que será a
esperança dos que choram e sofrem? Que os nossos irmãos espíritas compreendam
semelhantes objetivos de nossas despretensiosas opiniões, colaborando conosco,
dentro das suas possibilidades, para que possamos reconstruir e reedificar os
costumes para o bem de todas as almas.
É incontestável que a sociedade pode,
com o seu livre-arbítrio coletivo, exibir superfluidades e luxos nababescos,
mas, enquanto houver um mendigo abandonado junto de seu fastígio e de sua
grandeza, ela só poderá fornecer com isso um eloquente atestado de sua miséria
moral.










